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18 de junho de 2008

Óleos essenciais são arma contra ansiedade


POR CLAUDIA SILVEIRA

O poder tranqüilizante dos óleos essenciais de laranja e de lavanda já é reconhecido e amplamente difundido pela aromaterapia. A prática se baseia na inalação ou na massagem com óleos vegetais para desfrutar os benefícios que as plantas podem trazer.

Desde que a utilização dessas duas substâncias se tornou popular entre os brasileiros, o hábito vem despertando o interesse da ciência, inclusive de pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo). Um grupo coordenado pela bióloga Rita Mattei Persoli testou em laboratório o poder desses óleos essenciais e conseguiu comprovar a ação sedativa e relaxante de ambos.

Isso significa que quem sofre com os sintomas da ansiedade, como sentimento de apreensão, palpitações e transpiração, ganha um aliado no combate a essa sensação, muitas vezes incontrolável. Remédios para tratar o mal já existem, mas, segundo a bióloga, eles produzem diversos efeitos colaterais, como boca seca, alteração de memória e diminuição da função psicomotora. "Assim, torna-se necessário estudar novas drogas que tenham ação tranqüilizante e menos efeitos colaterais", diz Rita.

De acordo com ela, já não há mais dúvidas quanto à existência de uma relação direta entre a emoção e o olfato. "Em nossos estudos, a resposta emocional foi observada imediatamente após a exposição ao aroma", diz. A pesquisa foi realizada em animais, "mas já há dados de efeitos positivos também no ser humano", diz a bióloga, que deve continuar o estudo em uma próxima fase, dessa vez em seres humanos.

O resultado da pesquisa é um bom começo para que, no futuro, o tratamento da ansiedade tenha menos efeitos colaterais, segundo o psiquiatra Mateus José Abdalla Diniz, supervisor de alunos do Programa de Doenças Afetivas e Ansiedade, da Unifesp. Mas o médico reconhece que há um longo caminho a ser percorrido.

"Para um medicamento começar a ser usado, ele passa por uma série de testes muito rígidos. Por isso, ainda vai levar muito tempo até que surja um remédio ou um tratamento à base desses óleos essenciais que tenha a sua eficácia comprovada." Segundo o psiquiatra, quem toma remédio ansiolítico não deve suspender o seu uso ou substituí-lo sem a orientação do médico.

Mas, para quem já usa ou pretende introduzir o uso desses óleos essências no dia-a-dia, o importante é não recorrer às essencias sintéticas criadas em laboratório, orienta a psicóloga e aromaterapeuta Sâmia Maluf. "Os óleos essenciais foram citados no Antigo Testamento e já eram usados para fins medicinais. A essência apenas trabalha a memória olfativa, ou seja, a pessoa pode até se lembrar de uma situação agradável ao inalar o produto artificial, mas não terá o efeito do produto extraído da natureza."

Tire proveito dos óleos essenciais

Laranja: calmante, sedativo, anti-séptico e antibiótico
Lavanda: anti-séptico, relaxante muscular, adstringente, calmante, cicatrizante

Dicas de uso para relaxar

Para dormir
Antes de deitar, pingue uma gota do óleo de laranja ou de lavanda em um chumaço de algodão e coloque-o entre a fronha e o travesseiro.

Durante o banho
Pingue de três a cinco gotas de óleo no chão do box e tome banho com água morna. O calor vai potencializar o aroma.

Escalda-pés
Coloque dois litros de água morna em uma bacia e pingue oito gotas de óleo de lavanda e oito de óleo de laranja. Acrescente algumas bolas de gude e massageie os pés.

Difusor elétrico ou a vela
Coloque água ou óleo no difusor e acrescente cinco gotas do óleo essencial. Não deixe o aparelho ligado na tomada sem algum líqüido.

Massagem
Misture duas gotas do óleo essencial em uma colher de chá de óleo vegetal e massageie alguma região do corpo, como as pernas.

Importante: por ser muito concentrado, o óleo essencial deve sempre ser usado em pequenas quantidades. Em caso de dúvida, use apenas uma ou duas gotas e verifique se elas são suficientes. O produto não deve ser usado em excesso.

Cuidado: não aplique o óleo essencial diretamente na pele para substituir o perfume. Tenha cuidado com os cítricos, como o de laranja, que é fotossensível e pode provocar queimaduras e manchas na pele se exposto ao sol

Fonte: Sâmia Maluf, psicóloga e aromaterapeuta
Reportagem publicada na Revista da Hora do dia 15/06/08