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4 de março de 2008

Proteja seu bicho dos acidentes domésticos


POR CLAUDIA SILVEIRA

Animais de estimação costumam ser comparados a crianças quando o assunto são as travessuras que aprontam longe dos olhos do dono. Alguns bichinhos vivem dando susto ao se envolverem em acidentes domésticos, como ingerir produtos de limpeza, engolir pequenos objetos e até pular da janela.

Não tem jeito, quem tem bicho em casa é responsável por ele e precisa manter vigilância constante, principalmente se forem filhotes.

“Acidentes não acontecem, eles são provocados. Existem situações em que há negligência até porque a pessoa não percebe que ali existe o risco”, diz o veterinário Ricardo Henrique Santos, professor da Facis (Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo).

Além de manter produtos de limpeza e pequenos objetos longe do alcance dos animais, os donos também devem ficar de olho nas crianças, pois, sem querer, podem mandar os pets para o hospital.

“Criança não costuma ter noção de força e pode machucar ao pisar ou bater no animal. Ela também pode tentar repreender dando uma palmada, como vê os pais fazendo, e acabar o machucando seriamente”, afirma Santos.

O ambientalista Marco Ciampi alerta para o grande número de animais que sofrem fraturas ao caírem da laje da própria casa. Ele é presidente da Arca Brasil, uma associação voltada à proteção e ao bem-estar dos animais, e conta que esse é um acidente bastante comum. “Os animais precisam do controle total de seus donos”, orienta.

Quanto mais caseiro o companheiro, mais riscos ele corre. Isso porque animais que saem de casa com freqüência são mais alertas, e os que vivem sempre enclausurados vão ter menos precaução por causa da curiosidade que surge sempre que há algo novo diante dele.

Comparando cães e gatos, os felinos são os mais sensíveis, de acordo com Santos. “A mesma quantidade de um produto ingerido pode ser fatal para um gato e apenas causar diarréia em um cachorro”, explica o veterinário.

O nível de vigilância do dono costuma depender do temperamento do animal que tem em casa, mas é bom sempre lembrar que os pets são irracionais e não têm noção do perigo.


Acidentes comuns dentro de casa

Intoxicação
Cães e gatos podem ingerir produtos de limpeza e remédios e sofrer, desde diarréia e vômitos, até uma intoxicação fatal. Plantas, solventes e até comidas (boa ou estragada) também podem fazer mal. Donos desavisados que espalham veneno contra rato ou formiga pela casa podem matar o animal

Fraturas
É muito comum animais se machucarem ao caírem de janelas e sacadas de apartamentos. Queda de laje também pode ser fatal. As crianças também provocam traumas nos bichos ao brincarem ou os punirem com usando muita força

Engasgos
Pequenos objetos podem virar brinquedo e ser engolidos por acidente. Dependendo do tamanho, o animal pode sufocar

Choque elétrico
Animais, principalmente os cachorros, são atraídos por tomadas e fios soltos. O choque pode matar

Dicas para evitar sustos

Mantenha todos os produtos de limpeza fora do alcance do animal. Remédios esquecidos pela casa podem ser fatais

Tome cuidado também com os alimentos que podem fazer mal, como chocolate e ossos de frango

Feche o acesso a espaços estreitos, como a área atrás da geladeira, onde um filhote ou cachorro pequeno possa entalar

Deixe os fios elétricos fora do alcance das dentadas de cães curiosos

Se tiver piscina ou tanque destampado em casa, tome cuidado para o animal não cair dentro

Isole as plantas da casa, principalmente se alguma for tóxica, como jibóia e comigo-ninguém-pode

Mantenha fechada a tampa do vaso sanitário. Um filhote pode morrer afogado se cair dentro e um animal adulto pode se intoxicar bebendo água tratada com produtos químicos

Evite deixar velas acesas se não é possível permanecer no recinto. Gatos são atraídos pelo calor do fogo

Coloque rede de proteção em janelas e varanda. Não permita o acesso de animais à laje

Mantenha objetos pequenos como moedas, botões e pregos bem guardados

Fontes: Ricardo Henrique Santos, veterinário e professor da Facis (Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo) e os livros “Cachorro: Manual do Proprietário” (ed. Gente) e “Gato: Manual do Proprietário” (ed. Gente)

Reportagem publicada na Revista da Hora do dia 24/02/2008

19 de dezembro de 2007

Quando a bicharada é maioria

POR CLAUDIA SILVEIRA

O gosto por animais de estimação chega a ser tão forte em algumas pessoas que elas não se contentem em ter apenas um companheiro, um casal ou, no máximo três para fazer-lhe companhia.

Esse é o caso da designer Denise Toni Lopez, 50 anos. Ela cria 12 gatos e chegou a trocar o apartamento onde vivia por uma casa que desse mais conforto para os seus felinos.

O primeiro gato, Brad, Denise ganhou há cerca de seis anos. Um ano depois, chegou o segundo, a fêmea Cindy. Seu companheiro de número 12 se juntou à família há dois meses, e a designer se prepara para adotar mais um. “Ele vive em uma gaiola há dois anos, e só preciso ir buscá-lo”, diz.

Pode até ser divertido ter um monte de animais de estimação, mas a bicharada dá um trabalho danado e exige tempo, dinheiro e paciência do criador. Denise chega a gastar R$ 500 por mês com seus gatos. A quantia não inclui doenças ou qualquer imprevisto, como acidentes.

“Todos os dias, eu tenho de trocar a areia da caixinha, passar aspirador de pó por toda a casa porque tem muito pêlo espalhado e, antes de dormir, coloco ração com patê de carne para eles comerem”, descreve Denise.

Mas não adianta achar que é só dar casa, comida e limpeza para deixar o animal feliz. “Se são muitos, o dono não tem condições de dar carinho e atenção para todos eles de forma igual. Isso pode acarretar em estresse”, alerta a veterinária Elisabeth Estevão, professora da Facis (Faculdade de Ciências da Saúde de SP).

Muitos bichos de estimação juntos formam o ambiente ideal para a proliferação de doenças e, quanto maior a convivência entre eles, mais fácil de um passar para o outro.

Se a relação entre todos for boa, ótimo. Se não, mais trabalho para o dono, que precisa fazer um rodízio de permanência entre os companheiros pela casa. “É importante promover um espaço de socialização e lazer e outro de privacidade”, orienta Elisabeth.

O hábito de recolher animais na rua ou em risco de morte pode até ser um hábito de extrema generosidade, mas não é visto com bons olhos pela psicóloga Kátia Aiello, especialista na relação entre homem e animais.

Segundo a psicóloga, pessoas que têm esse costume sentem uma enorme vontade de ajudar, mas, ao mesmo tempo, são infelizes por não conseguirem livrar todos os bichos do abandono. “Sempre vai existir um animal na rua, e a pessoa sempre vai sofrer por causa disso”, diz.

Em alguns casos, esse amor incondicional pelos bichos pode esconder um distúrbio de comportamento.

“Ter muitos animais deixa de ser saudável quando a pessoa extrapola suas condições de criar com conforto e higiene, não sabe a hora de parar e passa a viver em função deles”, exemplifica Kátia.

Antes de encher a casa de bichos de estimação, a dica não é se perguntar quantos animais adotar, mas quantos é possível criar com dignidade.


Como conviver em harmonia com muitos companheiros

- Cuide bem da alimentação dos seus animais. Não é porque você cria muitos que vai comprar uma ração mais barata e de menor qualidade nutricional para economizar

- Reunir vários bichos de estimação em um único espaço é sinônimo de muita sujeira. Não deixe os bichinhos em um local com fezes, urina e restos de comida

- Só crie muitos animais juntos se o espaço oferecido for suficiente para proporcionar conforto, privacidade e oportunidade de lazer

- Mantenha a saúde dos companheiros sob constante vigilância. Não dispense a ajuda do veterinário

- Para evitar períodos de cio e filhotes indesejados, é indicado castrar todos os animais que convivem juntos, independentemente do sexo

- Caso algum dos animais adoeça, separe-o dos demais para evitar contágio ou desconforto para o doente e ter condições de cuidar dele com mais atenção

Reportagem publicada na Revista da Hora do dia 19/11/06